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Aos 18 anos, ela busca ‘startups’ promissoras para investidores

Tiffany Zhong tem entre seus mentores Stewart Buttefield, diretor-presidente da Slack — dona do app de mensagens homônimo — e Steve Sinofsky, ex-líder da divisão responsável pelo Windows, da M


No Vale do Silício, um lugar onde empreendedores que abandonaram a faculdade para fundar “startups” são exaltados — gente como Bill Gates, Steve Jobs ou Mark Zuckerberg —, é difícil se destacar por ser jovem e precoce. Mas Tiffany Zhong consegue fazer isso enquanto passeia comigo pelo escritório da Binary Capital, a firma de capital de risco onde ela é analista e associada.

Isto porque Zhong, ou Tiff como todos a chamam, tem apenas 18 anos.

Zhong tem um cargo na Binary Capital que normalmente é reservado para o fundador de uma startup ou para alguém com um MBA. E, ainda assim, se você passar tempo suficiente com ela, vai descobrir que ela parece tão pronta para assumir seu novo cargo como pessoas dez anos mais velhas e com muito mais experiência.

Em um negócio onde as relações são muito importantes, Zhong já conseguiu acumular uma série de contatos que deixaria com inveja qualquer pessoa encarregada de encontrar a próxima startup sensação do setor de tecnologia de consumo — o único tipo de empresa novata em que a Binary Capital investe.

Entre os mentores de Zhong estão Stewart Buttefield, diretor-presidente da Slack — dona do app de mensagens homônimo — e Steve Sinofsky, ex-líder da divisão responsável pelo Windows, da Microsoft, e que hoje representa a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz nos conselhos das firmas em que ela investe.

Ainda mais importante para o “fluxo de negócios” de Zhong — as startups em que ela acredita que a Binary Capital, que administra US$ 125 milhões, deveria investir — são os jovens empreendedores com quem ela se relaciona. Uma de suas vantagens com a geração mais nova de empreendedores da área da baía de San Francisco é que muitos deles têm a mesma idade que ela, ou são até mais jovens.

“Eu vou mostrar onde moro, mas eles não permitem mais jornalistas lá”, diz Zhong, enquanto termina seu jantar no Mau, um restaurante de massas chinesas no bairro moderno e cada vez mais valorizado do Mission, em San Francisco. A casa que ela divide com outros empreendedores, chamada Mission Control, fica do outro lado da rua e se parece com uma república de luxo para hackers extremamente jovens — o morador mais velho tem 22 anos, estima ela.

Antes da Binary Capital, Zhong trabalhou na Product Hunt, uma conhecida startup que fornece um resumo diário dos mais recentes aplicativos e novidades tecnológicas. Enquanto seus colegas de classe estavam preocupados em escolher a faculdade onde iriam estudar (Zhong foi aceita na Universidade da Califórnia em Berkeley, mas não quis a vaga), ela gastava todo seu tempo livre ajudando a gerenciar o site. Antes disso, ela participou de vários “hackathons” — eventos em que programadores, designers gráficos e outros profissionais colaboram em projetos de software — e seus correspondentes grupos no Facebook, onde ela conheceu muitas das pessoas que formam o núcleo de sua rede pessoal e profissional.

Ryan Hoover, fundador da Product Hunt, pensa que Zhong pertence ao mesmo grupo que muitos empreendedores jovens que anunciam produtos em seu site. “Há muitas similaridades entre os artistas e músicos de 20 anos atrás e o empreendedorismo de hoje”, diz Hoover, que repete a mesma coisa que todo mundo do setor de tecnologia diz hoje em dia — que nunca foi tão fácil criar um produto. “Eles podem lançar coisas da mesma forma que alguém estaria tocando violão quando tinha 13 ou 14 anos.”

Isso não quer dizer que ficou mais fácil entrar no ramo do capitalismo de risco, que até hoje é um clube de gente grande. Mas, sendo filha de um diretor-presidente de uma empresa de tecnologia e tendo crescido no coração do Vale do Silício, onde estudou na Menlo School, uma escola de prestígio, Zhong desde cedo teve acesso ao grupo de pessoas de que precisava para aprender tudo o que podia sobre o atual cenário tecnológico.

Enquanto conversamos, sentados à imensa mesa da sala de reuniões da Binary Capital, Zhong explica sua filosofia de investimentos. Um ponto importante é que as startups devem ter um “efeito de rede” natural, que ela descreve como: “A plataforma é tão útil que você literalmente força seus amigos a fazer o download — como o Snapchat.”

Zhong é sincera de um modo que poucos adultos são e, ainda assim, transmite confiança como poucas pessoas conseguem. Quando entrevistei seu melhor amigo, Nikhil Shrinivasan, ele me disse que tinha dormido somente três horas na noite anterior porque tinha ficado até tarde programando códigos.

“Eu não sei que dia da semana é hoje ou que horas são, tomo um monte de Soylent [vitaminas de proteína] e vivo dormindo na casa de colegas de trabalho”, diz ele, parecendo confiante, mas também envergonhado.

São pessoas como Shrinivasan — cerebrais e prontos para o que der e vier — que Zhong tem a missão de encontrar e proteger, diz Jonathan Teo, um dos fundadores da Binary Capital. Com Zhong, que representa sua empresa em meio àqueles com potencial para criar o próximo grande sucesso antes que empresas maiores decidam investir, a Binary pode manter o foco em seu fluxo de negócios, algo essencial para a estratégia da empresa, diz ele.

Dizer que a geração de Zhong — a primeira depois da virada do milênio — é diferente da anterior, formada por jovens ligeiramente mais velhos, é quase uma redundância. Zhong já estava no Facebook na sétima série e teve seu primeiro iPhone com 15 anos. Para pessoas como ela, consciência é sinônimo de conectividade.

Mas mesmo ela às vezes se surpreende com o ritmo atual das mudanças tecnológicas. “É assustador olhar para trás e ver o quanto a tecnologia já evoluiu”, diz ela, olhando para mim incisivamente, enquanto fala com nostalgia de um período de sua juventude que a maioria de nós se lembra como se fosse aproximadamente ontem.


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Aos 18 anos, ela busca ‘startups’ promissoras para investidores

Tiffany Zhong tem entre seus mentores Stewart Buttefield, diretor-presidente da Slack — dona do app de mensagens homônimo — e Steve Sinofsky, ex-líder da divisão responsável pelo Windows, da M

No Vale do Silício, um lugar onde empreendedores que abandonaram a faculdade para fundar “startups” são exaltados — gente como Bill Gates, Steve Jobs ou Mark Zuckerberg —, é difícil se destacar por ser jovem e precoce. Mas Tiffany Zhong consegue fazer isso enquanto passeia comigo pelo escritório da Binary Capital, a firma de capital de risco onde ela é analista e associada.

Isto porque Zhong, ou Tiff como todos a chamam, tem apenas 18 anos.

Zhong tem um cargo na Binary Capital que normalmente é reservado para o fundador de uma startup ou para alguém com um MBA. E, ainda assim, se você passar tempo suficiente com ela, vai descobrir que ela parece tão pronta para assumir seu novo cargo como pessoas dez anos mais velhas e com muito mais experiência.

Em um negócio onde as relações são muito importantes, Zhong já conseguiu acumular uma série de contatos que deixaria com inveja qualquer pessoa encarregada de encontrar a próxima startup sensação do setor de tecnologia de consumo — o único tipo de empresa novata em que a Binary Capital investe.

Entre os mentores de Zhong estão Stewart Buttefield, diretor-presidente da Slack — dona do app de mensagens homônimo — e Steve Sinofsky, ex-líder da divisão responsável pelo Windows, da Microsoft, e que hoje representa a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz nos conselhos das firmas em que ela investe.

Ainda mais importante para o “fluxo de negócios” de Zhong — as startups em que ela acredita que a Binary Capital, que administra US$ 125 milhões, deveria investir — são os jovens empreendedores com quem ela se relaciona. Uma de suas vantagens com a geração mais nova de empreendedores da área da baía de San Francisco é que muitos deles têm a mesma idade que ela, ou são até mais jovens.

“Eu vou mostrar onde moro, mas eles não permitem mais jornalistas lá”, diz Zhong, enquanto termina seu jantar no Mau, um restaurante de massas chinesas no bairro moderno e cada vez mais valorizado do Mission, em San Francisco. A casa que ela divide com outros empreendedores, chamada Mission Control, fica do outro lado da rua e se parece com uma república de luxo para hackers extremamente jovens — o morador mais velho tem 22 anos, estima ela.

Antes da Binary Capital, Zhong trabalhou na Product Hunt, uma conhecida startup que fornece um resumo diário dos mais recentes aplicativos e novidades tecnológicas. Enquanto seus colegas de classe estavam preocupados em escolher a faculdade onde iriam estudar (Zhong foi aceita na Universidade da Califórnia em Berkeley, mas não quis a vaga), ela gastava todo seu tempo livre ajudando a gerenciar o site. Antes disso, ela participou de vários “hackathons” — eventos em que programadores, designers gráficos e outros profissionais colaboram em projetos de software — e seus correspondentes grupos no Facebook, onde ela conheceu muitas das pessoas que formam o núcleo de sua rede pessoal e profissional.

Ryan Hoover, fundador da Product Hunt, pensa que Zhong pertence ao mesmo grupo que muitos empreendedores jovens que anunciam produtos em seu site. “Há muitas similaridades entre os artistas e músicos de 20 anos atrás e o empreendedorismo de hoje”, diz Hoover, que repete a mesma coisa que todo mundo do setor de tecnologia diz hoje em dia — que nunca foi tão fácil criar um produto. “Eles podem lançar coisas da mesma forma que alguém estaria tocando violão quando tinha 13 ou 14 anos.”

Isso não quer dizer que ficou mais fácil entrar no ramo do capitalismo de risco, que até hoje é um clube de gente grande. Mas, sendo filha de um diretor-presidente de uma empresa de tecnologia e tendo crescido no coração do Vale do Silício, onde estudou na Menlo School, uma escola de prestígio, Zhong desde cedo teve acesso ao grupo de pessoas de que precisava para aprender tudo o que podia sobre o atual cenário tecnológico.

Enquanto conversamos, sentados à imensa mesa da sala de reuniões da Binary Capital, Zhong explica sua filosofia de investimentos. Um ponto importante é que as startups devem ter um “efeito de rede” natural, que ela descreve como: “A plataforma é tão útil que você literalmente força seus amigos a fazer o download — como o Snapchat.”

Zhong é sincera de um modo que poucos adultos são e, ainda assim, transmite confiança como poucas pessoas conseguem. Quando entrevistei seu melhor amigo, Nikhil Shrinivasan, ele me disse que tinha dormido somente três horas na noite anterior porque tinha ficado até tarde programando códigos.

“Eu não sei que dia da semana é hoje ou que horas são, tomo um monte de Soylent [vitaminas de proteína] e vivo dormindo na casa de colegas de trabalho”, diz ele, parecendo confiante, mas também envergonhado.

São pessoas como Shrinivasan — cerebrais e prontos para o que der e vier — que Zhong tem a missão de encontrar e proteger, diz Jonathan Teo, um dos fundadores da Binary Capital. Com Zhong, que representa sua empresa em meio àqueles com potencial para criar o próximo grande sucesso antes que empresas maiores decidam investir, a Binary pode manter o foco em seu fluxo de negócios, algo essencial para a estratégia da empresa, diz ele.

Dizer que a geração de Zhong — a primeira depois da virada do milênio — é diferente da anterior, formada por jovens ligeiramente mais velhos, é quase uma redundância. Zhong já estava no Facebook na sétima série e teve seu primeiro iPhone com 15 anos. Para pessoas como ela, consciência é sinônimo de conectividade.

Mas mesmo ela às vezes se surpreende com o ritmo atual das mudanças tecnológicas. “É assustador olhar para trás e ver o quanto a tecnologia já evoluiu”, diz ela, olhando para mim incisivamente, enquanto fala com nostalgia de um período de sua juventude que a maioria de nós se lembra como se fosse aproximadamente ontem.


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